terça-feira, 29 de março de 2016

SOLUÇÕES NA CRISE


Começo de ano, quem pensa em uma oportunidade nova de trabalho tem de pensar um pouco e avaliar o mercado. Em época de instabilidade econômica e desemprego, as empresas congelam vagas, inclusive para pessoas com deficiência, e tentam negociar o cumprimento de cotas. Mesmo assim, há iniciativas para manter o nível de emprego para essa população.

Nada mais previsível quando se trata de projeções econômicas do que afirmar que, em época de crise como a que atravessamos atualmente, o nível de emprego despenca. Segundo o IBGE, o País fechou o último trimestre do ano passado com a maior taxa de desemprego já registrada desde 2012. Pelo levantamento, o número de desempregados subiu 8,9% em relação ao trimestre anterior de 2015 e mais de 9 milhões de pessoas estão hoje sem trabalho. Em relação à redução das oportunidades de emprego ou fechamento de postos de trabalho para pessoas com deficiência, ainda não há números atualizados mas a percepção de especialistas é que tem havido retração, embora não no nível absurdo registrado em geral no País.

Os dados mais recentes relativos a contratações de pessoas com deficiência divulgados pelo Ministério do Trabalho, com base na Relação Anual de Informações Sociais - RAIS, são de 2014. Pegam, portanto, a fase inicial da crise econômica e, por isso, não podem ser usados como parâmetro para ilustrar o impacto da queda no desempenho da economia na taxa de emprego para esses profissionais. Ao contrário, os números constatam que a contratação de pessoas com deficiência, pelo menos até o início da crise econômica, vinha ganhando corpo no País.

Em 2014, a RAIS registrava um aumento de 6,57% no número de brasileiros com deficiência empregados. O País contava, então, com 381.322 trabalhadores com algum tipo de deficiência ativos no mercado de trabalho. Esse número vinha subindo gradativamente desde 2011, quando o País empregava 325.291 trabalhadores com deficiência.

Já no Estado de São Paulo, o Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (PADEF), criado pelo governo estadual em 1995 com o objetivo de promover a inclusão e conscientizar o empresariado, incluiu, nos últimos 20 anos, 16.251 pessoas com algum tipo de deficiência no mercado de trabalho. É pouco, se contarmos que no Estado de São Paulo existem 9,34 milhões de pessoas com deficiência. Mesmo assim, não é um número que possa ser desprezado.
Obviamente, a Lei de Cotas, que obriga as empresas a manterem em seus quadros uma porcentagem de funcionários com deficiência, vinha colaborando de forma decisiva para esse aumento. E agora, no auge da crise, aparece como um dos fatores que devem ajudar o nível de emprego para esse nicho da população a não perder tanto fôlego. O que muda com a instabilidade econômica é que as empresas tem buscado formas mais criativas e menos onerosas para cobrir suas cotas.
"Percebemos, com a crise, uma diminuição no número de vagas disponíveis para pessoas com deficiência", afirma Talita Cristina Oliveira, especialista em RH da AME. "As empresas estão congelando posições e deixando de contratar no mesmo nível que antes, mesmo assim ainda existem oportunidades no mercado". Segundo ela, quem precisa cumprir a cota tem optado por contratar jovens aprendizes com deficiência, que ganham salários mais baixos. "Por causa das dificuldades de caixa, muitas empresas estão negociando com o Ministério do Trabalho o congelamento das cotas para pessoas com deficiência em troca de aumentar o número de aprendizes, para os quais também existe um percentual a ser mantido em seus quadros", explica Talita.

No último ano, a especialista também percebeu uma diminuição no número de vagas para profissionais com deficiência que possuem nível superior. "As vagas que surgem são, na grande maioria, operacionais, que exigem pouca especialização e cujos salários são mais baixos", destaca.

Isso leva a um outro problema sério quando se trata de incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho: encontrar vagas que se encaixam no perfil dos candidatos. É crescente o número de pessoas com deficiência que investem em uma formação profissional - segundo o censo do IBGE de 2010, 2,8 milhões de brasileiros com deficiência possuem ensino superior completo (incluindo mestrado e doutorado) -, mas muito poucas conseguem seguir carreira dentro de sua formação. Um outro levantamento, realizado pela FIPE, dá conta de que 68,9% dos trabalhadores com deficiência sentem pouca ou nenhuma compatibilidade entre o cargo e sua escolaridade, comparado com 42,8% para pessoas sem deficiência.

Isso deixa claro que, hoje, o País conta com um número de trabalhadores com deficiência qualificados suficiente para atender à demanda da Lei de Cotas e de empresas não incluídas na obrigatoriedade, mas não consegue absorver essa mão de obra. "Falta as empresas perceberem o potencial dessas pessoas e abrirem mais oportunidades de trabalho para profissionais com ensino superior e maior especialização", diz a especialista da AME. A entidade, além de atuar auxiliando empresas no recrutamento e seleção de mão de obra, dá treinamento e auxilia na formação de pessoas com todos os tipos de deficiência.

Oportunidades - Em meio à crise, o Grupo Pão de Açúcar firmou uma parceria com o Sincovaga – Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo para inclusão de pessoas com deficiência. O objetivo é que o grupo crie 8 mil novas vagas em todo o Brasil, visando cumprir a Lei de Cotas para PcDs, nos próximos três anos. “O GPA tem evoluído em várias ações que visam valorizar um ambiente de trabalho mais diverso, com oportunidades para todos. A assinatura desse acordo vem ao encontro do compromisso da companhia em evoluir em suas práticas e ampliar, de maneira sistemática, a participação de pessoas com deficiência em seu quadro de funcionários”, salienta Antonio Salvador, vice-presidente de Gestão de Gente da companhia.
Para Vilma Dias, superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego em São Paulo (MTE-SP), “mais que cumprir a lei, é importante garantir os direitos e a igualdade de condições aos trabalhadores. Nesse sentido, Termos de Compromisso como estes possibilitam às empresas atingir as cotas e criar oportunidades no mercado de trabalho para pessoas com deficiência e reabilitados."

Outra iniciativa para aumentar a contratação de pessoas com deficiência, esta da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT), do Governo Federal, aconteceu em setembro do ano passado. Foi criado, em todo o País, o Dia da Inclusão Social Profissional da Pessoa com Deficiência, que teve como meta, além da geração de emprego, fortalecer as políticas públicas e oferecer intermediação de mão de obra para esse público.

Durante a ação, vagas de trabalho foram oferecidas de Norte a Sul do Brasil. No Paraná, por exemplo, foram ofertadas 1.400 vagas para PcDs ou pessoas que tenham cumprido o Programa de Reabilitação Profissional pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Uma delas foi ocupada pelo porteiro Celso Roberto Cys. Há 33 anos, Cys sofreu um acidente na lavoura onde trabalhava, que o deixou com uma das pernas atrofiada. Desempregado havia meses, ele procurou a Agência do Trabalhador de Curitiba assim que soube da realização do Dia D. “As contas já estavam atrasadas, a construção da minha casa parou e tive que fazer um empréstimo”, falou. “Quando vi o anúncio na TV, disse para a minha mulher que não iria perder. Fui correndo e, graças a Deus, consegui a vaga”, contou. A empresa que contratou o porteiro é a Tecnolimp, uma das parceiras no evento. Nessa edição do Dia D, a empresa abriu mais de 200 vagas para trabalhadores com deficiência, em diversas Agências do Trabalhador do estado.

Já no Sergipe, 140 vagas foram oferecidas por meio do Núcleo de Apoio ao Trabalho (NAT) e da Secretaria de Estado da Mulher, Inclusão, Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (Seidh), que cadastraram 20 empresas para as quais foram realizados processos seletivos.
Para quem enxerga na crise a oportunidade de iniciar um negócio próprio, uma boa dica é procurar a assessoria do SEBRAE - SP.  Desde 2013, a instituição desenvolve, em parceria com a Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência o Projeto SEBRAE Mais Acessível. O objetivo é incentivar , por meio de palestras, a contratação de pessoas com deficiência nas micro e pequenas empresas e capacitar empresários e futuros empreendedores com deficiência em temas de gestão, com o auxilio de vídeos, aplicativos com recursos de acessibilidade e biblioteca virtual com conteúdo em áudio.

"Temos percebido um aumento no número de pessoas com deficiência que vêm até nós com ideias para montar seu próprio negócio", diz a Coordenadora de Acessibilidade de SEBRAE - SP, Ana Paula Peguim. Na maior parte dos casos, segundo ela, esses futuros empreendedores apresentam projetos voltados para o público com deficiência e baseados na plataforma e-commerce. "Mas muitos nos procuram porque querem ampliar seus negócios e oferecer serviços para o público em geral", observa.

Serviço:

AME-SP
telefone: 11 2360-8900



SEBRAE - SP

site www.sebraesp.com.br.


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