quarta-feira, 22 de junho de 2016

DO AUTISMO AO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

Os estudos sobre as patologias infantis são relativamente recentes. No século XIX, por volta de 1820, o único quadro com que se apresentava a criança, era sobre a deficiência intelectual, chamado de idiotia e que havia sido denominado pelo psiquiatra francês Esquirol. Esse quadro continuou com Pinel, por algum tempo, pois nesta época se acreditava que as crianças por causa do processo de desenvolvimento, não poderiam apresentar determinadas patologias.

O termo autismo apareceu em 1908 e foi criado por Bleuer, psiquiatra suíço, que designou esse termo para se referir ao paciente adulto com esquizofrenia que apresentava um grau alto de retraimento. Mas só em 1943, que Léo Kanner, psiquiatra austríaco, retomou esse termo e não mais utilizou para pacientes adultos mas para descrever as onze crianças que observava e eram diferentes dos quadros de demência precoce, esquizofrenia infantil e oligofrenia. Nesta observação constatou que essas crianças, tinham inteligência normal, possuíam uma boa capacidade de memorização, mas havia uma incapacidade inata para estabelecer contato e se comunicar. Assim, inicialmente classificou essas crianças com distúrbio do contato afetivo autístico e em seguida, apenas autismo. Tal classificação foi utilizada erroneamente por muito tempo, decorrendo disso, uma confusão com o atraso mental e a psicose infantil. O quadro apenas se esclareceu após 1970, passando a ser classificado nos manuais de psiquiatria.

Atualmente, temos o DSM-V que é o novo manual utilizado pela psiquiatria, e esse quadro é denominado por Transtorno do Espectro Autista - TEA. Engloba diferentes síndromes marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico com três características fundamentais, que podem se manifestar isoladamente ou em conjunto. São elas: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

 Os tipos de Transtorno de Espectro Autista são:

1) Autismo clássico: dificuldade de interação, poucos se comunicam, a compreensão é no sentido literal das palavras. São isolados. Não olham para as pessoas. Não imitam as pessoas e apresentam muitos comportamentos esteriotipados e repetitivos. Há um grau de deficiência mental importante.
2) Autismo de alto desempenho (antiga Síndrome de Asperger): são as mesmas dificuldades do autista clássico, mas em grau menor; são verbais e muitos inteligentes, confundidos com gênios, pois se tornam especialistas nas áreas que tem habilidades.
3) Distúrbio global não especificado: não se classificam nos quadros anteriores.

Pesquisas recentes mostram que o TEA já atinge uma em cada cem crianças. O diagnóstico é realizado pela área médica e pela psicologia e essas crianças precisam de tratamento conduzido por ambas e áreas afins, assim como seus familiares, de apoio e orientação.

 Telma Maria Duarte Rodrigues Psicóloga da Unidade Clínica da Ame



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